Justiça volta a ouvir acusados pelo assassinato de Bruno e Dom

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Réus prestam depoimento nesta 5ª feira (27.jul); indigenista e jornalista foram mortos em 5 de junho de 2022

A Justiça Federal volta a ouvir nesta 5ª feira (27.jul.2023) os 3 réus acusados de participação nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. Amarildo da Costa de Oliveira, o Pelado; seu irmão, Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos; e Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, prestarão depoimento ao juiz da Subseção Judiciária de Tabatinga (AM), onde corre o processo por duplo homicídio e ocultação de cadáveres.

Como os réus estão detidos preventivamente em presídios federais, em outros Estados, serão ouvidos em audiência online, com a participação de seus defensores e integrantes do MPF (Ministério Público Federal).

Em março deste ano, a Justiça precisou suspender os depoimentos dos 3 réus em razão da interrupção da conexão com a internet nos presídios federais de Catanduvas (PR) e Campo Grande (MT). A oitiva foi remarcada para 17 de abril, quando voltou a ser adiada, desta vez a pedido da defesa, que solicitou que seus clientes fossem ouvidos em videoconferência reservada.

Amarildo, Jefferson e Oseney foram ouvidos pelo juiz federal Fabiano Verli em 8 de maio. Cabe ao magistrado, com base nas provas reunidas e nos depoimentos de testemunhas e dos réus, decidir se o julgamento irá a júri popular.

Bruno e Phillips foram mortos em 5 de junho de 2022, vítimas de emboscada, quando viajavam de barco pela região do Vale do Javari, no Amazonas. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a 2ª maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares. A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente do mundo.

A dupla foi vista pela última vez enquanto se deslocava da comunidade São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se reuniria com líderes indígenas e de comunidades ribeirinhas. Seus corpos foram resgatados 10 dias depois. Eles estavam enterrados em uma área de mata fechada, a cerca de 3 km da calha do Rio Itacoaí.

Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom se dedicava à cobertura jornalística ambiental –incluindo os conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas– e preparava um livro sobre a Amazônia.

Pereira já tinha ocupado a Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) antes de se licenciar da fundação, sem vencimentos, e passar a trabalhar para a Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari). Por sua atuação em defesa das comunidades indígenas e da preservação do meio ambiente, recebeu diversas ameaças de morte.

Identificados e detidos, Amarildo, Jefferson e Oseney foram denunciados por assassinar e ocultar os cadáveres das vítimas. Na denúncia, feita em julho de 2022, o MPF indica que, inicialmente, Amarildo e Jefferson admitiram os crimes, embora posteriormente tenham mudado seus depoimentos.

Ainda assim, para os procuradores, “os elementos colhidos no curso das apurações apontam que o homicídio de Bruno teria correlação com suas atividades em defesa da coletividade indígena. Dom, por sua vez, foi executado para garantir a ocultação e impunidade do crime cometido contra Bruno”.


Com informações da Agência Brasil



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