Homenagens a Dom Phillips e Bruno Pereira um ano depois de suas mortes

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Líderes indígenas, políticos e amigos e parentes de Dom Phillips e Bruno Pereira prestaram homenagem aos dois homens no aniversário de seus assassinatos na Amazônia brasileira.

O jornalista britânico e especialista indígena brasileiro foi emboscado e morto em 5 de junho de 2022 enquanto viajava de barco pela remota região do vale do Javari.

Na segunda-feira, centenas de apoiadores se reuniram em cidades como Rio, Belém, na Amazônia, e na capital Brasília, para relembrar suas vidas e as causas que prezam.

“A melhor maneira de homenageá-los é garantir que sua luta não foi em vão”, declarou o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto seu governo anunciava detalhes de seus planos para deter o desmatamento da Amazônia até 2030.

A viúva de Phillips, Alessandra Sampaio, lutou contra as lágrimas ao falar sobre seu luto durante um evento na praia de Copacabana.

“A verdade é que perdi o amor da minha vida. Eu gostaria de não estar aqui dando entrevistas. Eu não quero nada disso. Eu gostaria de voltar para a vida simples que eu tinha com Dom. Queríamos envelhecer juntos e isso foi roubado de mim, foi roubado da minha família e dos meus amigos – tudo por causa da ganância e da falta deliberada do governo anterior ao controle [in the Amazon],” ela disse.

O desmantelamento do ex-presidente Jair Bolsonaro das proteções indígenas e ambientais foi amplamente responsabilizado pelo aumento do desmatamento e pela criação do cenário sem lei no qual ocorreram os assassinatos do ano passado.

Alessandra Sampaio, viúva do jornalista britânico Dom Phillips, em evento no Rio.
Alessandra Sampaio, viúva do jornalista britânico Dom Phillips, em evento no Rio. Fotografia: Bruna Prado/AP

Mas Sampaio – que se prepara para lançar o Instituto Dom Phillips voltado para a defesa das comunidades indígenas e do meio ambiente – disse estar determinada a continuar a luta do marido pela Amazônia.

“Sinto muita raiva, mas tento não me concentrar nisso. Estou tentando seguir em frente e fazer o que for possível em nome de Dom para promover a conservação”, disse ela, pedindo maiores esforços do governo para proteger os ativistas indígenas que lutam para proteger suas terras ancestrais de garimpeiros ilegais, caçadores furtivos e traficantes de drogas.

“É intolerável que os indígenas ainda estejam ameaçados e sejam mortos. Quando isso vai parar? A morte de Dom e Bruno não foi suficiente? disse Sampaio.

A mais de 3.500 milhas de distância na Amazônia, ativistas indígenas viajaram até o local no rio Itaquaí onde Phillips e Pereira foram mortos para erguer duas cruzes brancas em homenagem aos homens.

“A ideia é marcar… o local onde foram assassinados… para garantir que nunca seja esquecido”, disse Carlos Travassos, um especialista indígena que está ajudando a levar adiante o trabalho de Pereira, em uma entrevista recente.

No palácio presidencial de Brasília, altos políticos e diplomatas prestaram homenagens a Phillips e Pereira em evento que marcou o Dia Mundial do Meio Ambiente e contou com a presença de Lula.

Lula disse que está determinado a mudar a impressão que o mundo teve da Amazônia após os crimes do ano passado como “uma terra sem lei à beira da destruição que representa uma enorme ameaça para a batalha contra a emergência climática”.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lembrou como os homens foram “barbaramente assassinados… defendendo uma causa que o estado deveria estar defendendo” durante a gestão ambientalmente devastadora de Bolsonaro.

“Há exatamente um ano, esse crime chocou o mundo e expôs a fragilidade de uma Amazônia que estava entregue ao crime organizado [groups] que derrubam a floresta e matam quem cruza seu caminho para defender a floresta e seus povos nativos”, disse Silva.

Silva lembrou que um dos primeiros atos de Lula após assumir o cargo de Bolsonaro em janeiro foi criar o ministério dos povos indígenas, a fim de deter “as atrocidades” cometidas contra os povos indígenas do Brasil.

Beto Marubo, um proeminente líder Javari que está entre os que receberam ameaças de morte, compareceu ao memorial do Rio e disse que se sentiu encorajado ao ver pessoas ao redor do mundo defendendo as causas que Pereira e Phillips passaram a representar.

Mas Marubo expressou desapontamento com o fato de o vale do Javari ainda não ter testemunhado uma intervenção enfática do novo governo de esquerda de Lula.

Uma base flutuante da Polícia Federal foi instalada em Atalaia do Norte, a cidade portuária mais próxima da entrada da Terra Indígena do Vale do Javari, mas ativistas dizem que pouco mais foi feito.

“Achávamos que já teríamos o Exército, a Polícia Federal e a Marinha trabalhando juntos na região… mas não temos. E os mesmos problemas… que causaram as mortes de Dom e Bruno persistem”, disse Marubo, que trabalhou com Pereira por mais de uma década.

“As lideranças indígenas ainda estão sendo ameaçadas… forasteiros continuam invadindo o território indígena. Absolutamente nada mudou”, disse Marubo, acrescentando: “Não estamos interessados ​​em [the government’s] boas intenções. Queremos ver as coisas acontecerem.”

Na véspera das comemorações de segunda-feira, veio à tona que a Polícia Federal havia acusado o suposto líder de uma “organização criminosa transnacional” de ser o mandante dos assassinatos do ano passado. Ruben Dario da Silva Villar é acusado de ser o chefe de uma rede de caça ilegal que saqueava os cursos d’água e as florestas do território do vale do Javari – e cujas atividades Pereira tentava frustrar treinando patrulhas indígenas.

A acusação disse que as evidências coletadas pela polícia sugerem que “os passos de Bruno e Dom estavam sendo monitorados pela organização criminosa” nos dias que antecederam o crime.

Falando na praia de Copacabana, Marubo prometeu que os ativistas indígenas continuariam lutando em nome de Pereira. “É uma questão de honra, de ética e de compromisso com a causa”, afirmou, instando os jornalistas a fazerem o mesmo ao viajar para a Amazônia para cobrir questões indígenas.

“Sun deu sua vida por isso”, disse Marubo.

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