Equipe de candidata argentina Patricia Bullrich se reúne com FMI


Segundo o jornal “Clarín”, discutiu-se, entre outras coisas, a inflação alta e a escassez de reservas do Banco Central argentino

A equipe econômica da candidata à Presidência da Argentina Patricia Bullrich realizou na 5ª feira (17.ago.2023) uma reunião virtual com técnicos do FMI. O Fundo Monetário Internacional também deve se reunir com Javier Milei, político que venceu as eleições primárias realizadas no domingo (13.ago.2023).

Segundo o jornal Clarín, foi discutido o acordo da Argentina com o FMI e o possível desbloqueio de US$ 7,5 bilhões. Ainda, a inflação alta e acelerada no país, a escassez de reservas do Banco Central argentino e os desafios para conter o câmbio. Os representantes de Bullrich falaram sobre o compromisso da candidata em agir rapidamente na redução do deficit fiscal.

Conforme a publicação, representaram o FMI: o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental, Rodrigo Valdés, e Luis Cubeddu, que chefia a equipe de negociações com a Argentina.

Eles falaram com Luciano Laspina, principal nome da equipe econômica de Bullrich, e com mais 4 economistas que integram o staff da candidata: Guillermo Mondino; Guillermo Ortíz Batalla, ex-presidente do Banco Ciudad; Gabriel Lopetegui, que foi representante da Argentina no FMI de 2017 a 2020; e Pablo Guidotti, ex-secretário do Tesouro.

Integrantes da equipe de Bullrich disseram ao Clarín que, além do FMI, a candidata foi contactada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e pelo Banco Mundial “para avançar em futuros programas de financiamento”.

PRIMÁRIAS

Javier Gerardo Milei tem 52 anos, é formado em economia e liderou com 30,4% dos votos a eleição primária de 13 de agosto de 2023 na disputa pela Presidência da Argentina. Ele está à direita no espectro político ideológico, com ideias ultraliberais na economia. Defende fechar o Banco Central do país, acabar com o peso e usar o dólar dos EUA como moeda local.

O candidato concorre à Casa Rosada pela coalizão “La Libertad Avanza” (em português, A Liberdade Avança). Milei se autodefine como “anarcocapitalista” e “libertário” –é contra a interferência do Estado na sociedade e a favor do sistema de livre mercado. Diz que seu programa será uma “motosserra” para cortar gastos públicos. Afirma que o aquecimento global é uma mentira, é a favor da venda de órgãos e defende o sistema de educação não obrigatório e privado.

Em 2º lugar ficou peronista e atual ministro da Economia, Sergio Massa. Patricia Bullrich terminou em 3º. Mas, somando os votos dela com o de seu parceiro de coligação, Horacio Larreta, o “Juntos por el Cambio” (em português, Juntos pela Mudança) ultrapassa Massa e sobe para o 2º lugar

QUEM É PATRICIA BULLRICH

Conhecida como a dama de ferro argentina, Patricia Bullrich Luro Pueyrredon é formada em humanidades e ciências sociais com foco em Comunicação pela Universidade de Palermo e tem mestrado e doutorado em ciência política pela Universidade de San Martín.

Bullrich foi deputada por Buenos Aires de 1993 a 1997 e de 2007 a 2015. Também atuou como ministra do Trabalho (2000-2001), da Segurança Social (2001) e da Segurança (2015-2019), nos governos de Fernando de la Rúa e Mauricio Macri.

Entre suas principais propostas de campanha, a ex-ministra promete aos seus eleitores uma “mão firme” contra o crime e a corrupção e o fortalecimento das forças armadas da Argentina. Traz também uma forte retórica antiperonista.

Em relação ao seu plano econômico, Bullrich diz que pretende reduzir gastos de governo, remover os controles cambiais e conduzir uma revisão das leis tributárias e fiscais da Argentina para simplificar a estrutura financeira. Ela apoia ainda um sistema em que pesos e dólares argentinos são usados juntamente na economia.

Leia mais aqui sobre quem são os candidatos a presidente na eleição de 22 de outubro de 2023 na Argentina.

ELEIÇÕES ARGENTINAS

O 1º turno das eleições gerais será em 22 de outubro. O pleito decidirá o novo presidente do país, além do vice-presidente, deputados e senadores. Para vencer em 1º turno, os candidatos à Presidência precisam de, ao menos, 45% dos votos ou 40% e uma diferença mínima de 10 pontos percentuais em relação ao 2º colocado.

Caso ninguém atinja essa marca, será necessário um 2º turno, que está marcado para 19 de novembro. Neste caso, vence o candidato com maior número de votos.



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