CPI do 8 de Janeiro segue rota de financiadores, diz Eliziane


Segundo a relatora da Comissão, há empresas investigadas que fizeram financiamento com o governo federal

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) disse na 5ª feira (31.ago.2023) que a CPMI do 8 de Janeiro está “seguindo a rota dos financiadores”. Ela é relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga a invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília.

A gente quer entender quem levantou o dinheiro e de onde saiu esse dinheiro para irrigar o 8 de janeiro, que não foi barato”, falou a congressista em entrevista ao programa “É Notícia”, comandado pelo jornalista Kennedy Alencar na Rede TV!. Segundo ela, houve uma estrutura que permitiu que os acampamentos funcionassem por meses. “Há empresas investigadas que fizeram financiamento com o governo federal”, declarou.

A senadora ressaltou que a CPMI tem legitimidade para propor delação premiada, mas que é preciso elaborar um protocolo e submeter “a autoridade judiciária”. Segundo ela, um acordo desse tipo com o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, traria “resultados muito importantes” para as investigações conduzidas tanto pela CPMI quanto pela PF (Polícia Federal).

Eliziane disse que Cid estava em “posição estratégica”, pois mantinha dados importantes em seu celular e participava de diversas reuniões, como a que ocorreu entre Bolsonaro e Walter Delgatti, conhecido como hacker da Vaza Jato. “Ele é um arquivo vivo, ele tem, de fato, muitas informações”, declarou.

Ele tem uma relação muito próxima não apenas com o ex-presidente, mas com vários integrantes de seu ciclo”, afirmou. “Essas informações serão muito pertinentes para o trabalho da comissão”, completou.

Ela afirmou que pretende apresentar o relatório da CPMI até 17 de outubro. Questionada se o documento trará a sugestão de indiciamento de Bolsonaro e por quais crimes, a senadora respondeu que “até lá, tem muita coisa para acontecer” na Comissão.

Sobre o ex-presidente, nós recebemos um depoimento absolutamente sério, que foi o do Walter Delgatti. Ele traz a informação clara de que o ex-presidente da República teria ligado para ele para assumir um grampo de um ministro do Supremo Tribunal Federal, conversado com ele para fazer uma demonstração fake dizendo que a urna eletrônica seria vulnerável”, declarou a senadora.

Se a gente tiver a confirmação desses depoimentos (…), não há dúvida nenhuma que esse indiciamento ocorrerá”, falou, acrescentando que a ida de Bolsonaro à CPMI não deve ser necessária por causa do “conjunto de dados” em posse da Comissão –como os obtidos com quebras de sigilo telemático de investigados.

A senadora, no entanto, disse querer ouvir outras pessoas que estavam “dentro do processo” que culminou no 8 de Janeiro, como o ex-ministro da Defesa e vice na chapa de Bolsonaro nas eleições de 2022, Walter Braga Netto, e o ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno.



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