Ações da Petrobras tem 2ª maior rentabilidade desde 2000


Acionistas da petroleira acumulam retorno de 73% ao longo do ano, fruto da valorização dos papéis e da distribuição de dividendos

Os acionistas da Petrobras acumulam uma rentabilidade dos seus investimentos de 73% neste ano. Trata-se da 2ª maior taxa de remuneração da estatal no século 21. Os dados foram levantados pelo consultor financeiro Einar Rivero e consideram a valorização das ações preferenciais (PETR4) desde janeiro, além da distribuição de dividendos.

O resultado só é inferior ao de 2016. Naquele ano, a então presidente Dilma Rousseff (PT) sofreu impeachment e deixou cargo. Pouco depois de assumir o Planalto, Michel Temer (MDB) mudou a política de preços de combustíveis da companhia, passando a seguir as cotações internacionais. Naquele ano, a valorização total foi de 96,42%.

Analisando os dados desde 2000, observamos que as ações tiveram 17 anos com rentabilidade positiva e 7 anos com retorno negativo. O pior desempenho ocorreu em 2020, com queda 28,26%. Era o 1º ano da pandemia de covid-19, que fez a demanda global de petróleo recuar e provocou uma queda nos preços do barril.

Um dos motivos pelo desempenho de 2023, segundo Rivero, é a elevada distribuição de dividendos que a Petrobras tem feito nos últimos 12 anos. Esse pagamento se refere aos bons resultados da empresa em 2022 e também neste ano.

 

Ele explica que uma grande parcela dos acionistas reinveste esses valores recebidos na empresa, o que faz os preços das ações subirem ainda mais. “A Petrobras desembolsou volumes muito altos de dividendos, que permite um ganho muito forte de valorização de ações por causa do reinvestimento”, afirmou.

“No início do ano havia uma escuridão sobre o que viria com o governo Lula (PT). Uma das bandeiras que eles tinham era mudar por completo a política de distribuição de dividendos. Mas a diretoria não seguiu totalmente isso. Diminuiu um pouco o volume sim, mas não ao ponto de prejudicar os investidores. A Petrobras ainda é uma das maiores pagadores de dividendos”, diz o consultor.

POLÍTICA DE PREÇOS

De acordo com Rivero, deve-se levar em conta ainda a valorização do barril de petróleo. Atualmente, as cotações estão beirando US$ 95. No entanto, embora influencie elevando o valor da ação, o barril aumenta a defasagem dos preços de combustíveis a pressão por reajustes.

Ele avalia que a reformulação da política de preços de combustíveis, anunciada em maio, ainda não teve o efeito negativo que era esperado nas ações. O governo não abrasileirou 100% os valores como vinha prometendo e os preços internacionais ainda entram na conta.

“A política de preços afetou, mas não afetou como se esperava no preço da ação. Porque o governo pensou em fazer uma intervenção mais pesada, mas não foi tão forte assim para afetar os resultados da empresa. Tanto que a companhia manteve os resultados expressivos no balanço do último trimestre”, afirmou.

Nesta 3ª feira (19.set.2023), a ação preferencial da companhia encerrou o pregão cotada a R$ 34,20. Os papéis ordinários (PETR3) fecharam em R$ 37,36. São os maiores valores dos 2 tipos de ações da estatal em 2023, acumulando valorização de 49% e 43% desde janeiro, respectivamente.

 



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